quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A vida que vai

A morte do jovem de 25 anos Mateus Pescador Marcelino, na manhã de terça-feira, chocou Criciúma. Ganhou espaço nos sites de notícias, rádios e jornais. Mas a história ainda é mais triste porque a irmã de Mateus há dois anos atrás também faleceu por problemas do coração. Ela tinha apenas 17 anos. E segundo o cardiologista, Dr. Jairo Xavier Filho*, é muito difícil uma pessoa com menos de 20 anos morrer, a não ser por causa hereditária. Os jovens só morrem por doenças de coração em casos muito raros, como por doenças de chagas.

Esses fatos me dispertaram para o seguinte questionamento: porque jovens morrem assim tão cedo por problemas no coração? Nesses dois casos tudo indica que é algo hereditário. Algo que acabou afetando os dois irmãos.

Mas existem duas causas de mortes por ataque cardiáco onde quem sofre o provocou. O uso de "bombas" e o de cocaína. Os atletas que tomam bomba, principalmente as mulheres, morrem de infarto muito cedo, afirmou Dr. Jairo Xavier Filho.
No caso da cocaína, alguns médicos da Sociedade Mineira de Medicina já pedem que o teste de cocaína seja obrigatório. A preocupação é não remediar o jovem que entra no pronto socorro com algo que possa piorar seu estado clínico. Muitos dos números da sociedade médica destacam o ataque cardiáco associado ao consumo de cocaína. Quando também há o uso de bebida o caso pode agravar ainda mais. Nos EUA, 25% das anginas em jovens estão associadas ao uso da cocaína. Desses, 6% infartam.


A polícia Federal apreendeu 30 quilos de pasta base para a produção de até 3x de pó. A droga era para ser distribuída aos consumidores do sul.

No Brasil, não existem números oficiais. Em uma matéria realizada pela Folha de S.Paulo, 10 cardiologistas relataram 50 infartos envolvendo jovens. O caso que mais se destacou foi o caso de um adolescente de 14 anos, de Uberlândia (MG), que infartou após consumir cocaína. Infelizmente morte de jovens são muitas vezes associadas ao consumo de drogas. Até no caso do Mateus ouvi um comentário após falar sobre a morte: "Ih pode ver que foi overdose". Mas um boato sem nenhum fundamento, pois a pessoa falou por instinto sem nem conhecer o jovem.

Sem um número oficial de infartos associados ao consumo, as estatísticas sobre o consumo da droga são sempre citados. Um dos números aponta que 2% dos estudantes de dez capitais brasileiras já usaram cocaína pelo menos uma vez na vida, segundo levantamento do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas).

Na foto outra droga que a galera adora


"A cocaína causa uma tempestade elétrica no coração. A associação com os betabloqueadores, pode piorar o quadro de espasmo coronário", explica cardiologista Almir Sérgio Ferraz, um dos diretores do Funcor (fundação do coração). O risco de ocorrer um infarto é 24 vezes mais elevado após 60 minutos do consumo da cocaína, mesmo em indivíduos com baixo risco cardiovascular.

Então galerinha do "somos unidos pelo pó", que não é pouca na nossa cidade, deve abrir o olho. Porque por um momento de prazer a vida pode ser perdida. E existe algo mais prazeroso do que viver? A Marina diria: existe sim! Dai eu respondo: mas só se faz isso vivo.

* entrevista de 20 de Agosto de 2005, cedida ao site http://www2.uol.com.br.
* Folha de S. Paulo – 23/01/2005.

2 comentários:

Cintia Brunelli disse...

Bah, bem legal teu texto sobre esse guri que morreu! Eu nem conheci o cara, mas fiquei assustada quando soube, pq fiquei pensando: "orra, ele morreu enquanto dormia, quem garante que algo assim não pode acontecer comigo também?". Tipo, parece que juventude é garantia de tranquilidade, mas nem sempre é assim. Foda!

(por pouco eu não escrevi que o cara "acordou morto", huahahauhauhau)

Anônimo disse...

Ola Maga,

Meu nome, Ravick Marcelino, Mateus Marcelino, meu primo, mais perto de irmao do que primo na real.
A irma dele, Rafaela Marcelino, recebeu um transplante cardiaco quando tinha 5 anos de idade, nada hereditario, o coracao dela foi enfraquecido por um virus. Depois do transplante ela sempre esteve em risco e infelizmente nos deixou. O Mateus era um atleta, finalizou a faculdade de direito, nunca teve problemas de saude, pelo contrario, como dizemos sempre, era forte como um touro. A morte dele ate hoje e um misterio.
Vale a licao, que devemos nos cuidar, cuidar do corpo, da mente, do espirito. Perdoar mais, viver melhor, ajudar ao proximo, enfim amar mais.

Ravick Marclino Gomes.
ravick_aus@hotmail.com