quinta-feira, 5 de junho de 2008

Entrevista muito legal

O Portal Engeplus publicou uma entrevista feita pela jornalista Ariadne Niero com o estudante universitário preso por venda de drogas sintéticas no sul do estado. N.L.F.J ficou frente a frente com A.C., esse último considerado o maior traficante desse tipo de droga aqui do sul de Santa Catarina. A entrevista com duração de quase meia hora, teve um tom de arrependimento. Confira como foi:


Engeplus - Aos 22 anos, você é calouro de Engenharia Civil da Unisul de Tubarão?
N. – Freqüento a primeira fase. Mas já cursei Direito por dois semestres e também Publicidade.

Engeplus - E foi a partir da faculdade que você teve contato com as drogas sintéticas?
N. - Não sei te dizer. Cursei Direito, passei para Publicidade e decidi trancar o curso para ir morar nos Estados Unidos por dois anos. Cheguei em março do ano passado e decidi cursar Engenharia. Então comecei a sair e fazer amigos na noite.

Engeplus - Você foi estudar nos Estados Unidos?
N. - Não. Morei em Boston, com meu irmão, e trabalhei como carpinteiro.

Engeplus - Quando usou ecstasy pela primeira vez?
N. - Não faz muito tempo. Foi assim que retornei ao Brasil. Queria me soltar nas festas, dançar sem parar.

Engeplus - Foi em uma festa eletrônica?
N. - Sim. Com a minha volta, notei que mudaram os tipos de festa na região. Aumentou muito o consumo de ecstasy, principalmente nas baladas de Criciúma e não só em casas noturnas. Em festas de sítios também rola muito.

Engeplus - É consumido no banheiro, escondido, ou pista de dança?
N. - Está tão comum que vai até na pista de dança. Tem gente que chega a consumir até 12 "balas" por noite. Ninguém pára de dançar.

Engeplus - Qual sua relação com os outros presos pelo tráfico de ecstasy?
N. - Prefiro não comentar. Mas sempre gostei de festas e esse tipo de amizade a gente faz na noite, em baladas. Começamos como usuário até virarmos fornecedores.

Engeplus - E quando você virou fornecedor?
N. - Foi a primeira vez que ia tentar fornecer a droga quando a polícia me pegou em Criciúma. Nunca tinha feito isso. Encomendaram e vim trazer. Fui pego quando chegava na casa da minha namorada.

Engeplus - Qual o valor do comprimido de ecstasy em baladas?
N. – Entre R$ 30 e R$ 45.

Engeplus - Você divide a cela com quantos presos?
N. - Estamos em seis no setor de triagem. Ninguém ainda foi condenado.

Engeplus - O que faz para passar o tempo?
N. - Leio a Bíblia e trabalho na confecção de grampos.

Engeplus - Qual sua religião. Já tinha lido a Bíblia antes?
N. - Não. Comecei a ler agora. Sou católico.

Engeplus - A comida do presídio é boa?
N. - Sim. Não deixo sobrar nada. Pela manhã vem uma caneca de café e dois pães. Tem ainda o almoço e janta e com as “estalecas” que ganhamos na confecção dos grampos de roupas dá para comprar outras coisas, como bolachas e produtos de higiene no mercadinho local.

Engeplus - Estalecas? Isso não é uma espécie de moedas utilizadas no BBB, da Globo?
N. - Sim. Quando entrei no presídio até brincaram que vinha mais um para ajudar a ganhar estalecas no Big Brother Santa Augusta. É nossa moeda de trabalho. A cada 250 grampos ganhamos R$ 3,50, sem contar que a cada três dias de trabalho é descontado um dia na condenação.

Engeplus - Quantas vezes você viu sua mãe após a prisão?
N. - Esta é a segunda vez. Estou muito arrependido e envergonhado de tudo que fiz. Sempre quando ia sair para festas ela pedia para me cuidar. Perdi as contas de quantas vezes a ouvi dizendo para não beber nem usar drogas. Sei o quanto ela está sofrendo por isso, ainda mais por ser o caçula.

Engeplus - E seu pai?
N. - Meu pai morreu de câncer em fevereiro deste ano. Agora estou preso. Minha mãe não merecia passar por tudo isso.

Engeplus - Que recado você deixa para os jovens que estão no mesmo caminho que o seu?
N. - Não há necessidade de usar drogas para curtir uma festa. O estrago é irreparável pela dor que causamos nos pais. Eu não cheguei a ser fornecedor de drogas e agora pago por isso. Temos tudo em casa, ganhamos tudo dos pais. Eles não merecem esse tipo de agradecimento.

Engeplus - O que pretende fazer quando sair da prisão?
N. - Ser um orgulho para minha mãe.


Parabéns Engeplus pela entrevista. E cacalhada, juízo as vezes é bom.

2 comentários:

Maçãzinha disse...

Lindonaaa
como sempre com post's legais...
=))

ótimo fds
=*

Juliana Dacoregio disse...

ééé... era universitário, agora, hóspede do Santa Augusta...
bjo Maga:)))