quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mais uma marca, uma história e uma lembrança

Acordei cedo neste sábado, com um pouco de sono por ter ido dormir quase quatro horas da manhã após ter conversado muito com minhas amigas. O assunto? Para variar relacionamentos e homens. A conversa foi legal, confesso. Também confesso que talvez eu deva ouvir mais meus próprios conselhos. Bom isso falo outro dia... hoje o assunto é outro. Só acordei e liguei para o Edinho, o tatuador da vez.

- Oi, sou a menina das borboletas e da frase. Posso fazer a tatoo hoje? Ah, mas quero a pomada anestésica tá.
- Vai vir de certeza? Se vier vou em casa buscar a pomada.
- Certeza! Estou ai as 10h pode ser?
- Claro! Combinado então.

Assim foi a conversa. Depois disso levantei e tratei de me arrumar para ir fazer minha segunda tatoo. As borboletas já estavam escolhidas, são quatro tipos, cada uma com seu estilo e cada uma representando um membro de minha família: pai, mãe, irmã e euzinha. A frase é em homenagem a minha linda vózinha Irene falecida há algum tempo. Amei muito essa mulher e queria ter algo comigo para sempre como forma de homenagem, então tatuei a segunda frase que me faz lembrar dela: "Deixe estar...". O significado é bem amplo e sábio: deixa que a vida anda como tem que andar... não se abafe tudo acontece como deve ser... Querem saber qual era a primeira frase? "Toma sadol!" Ela tinha essa mania de mandar todos os netos tomarem sadol, um remédio que tem algumas vitaminas, sais minerais e que aumenta o apetite. Afinal de contas ela queria ver os netos fortinhos, mas convenhamos que uma tatoo com essa frase é meio estranha.

Pois bem, tomei um café da manhã com meu amado leite ninho. E pensei na "roupixa" de fazer tatuagem (parece fútil mas é importante viu!) Coloquei uma bata branca, uma bermuda jeans e a parte de cima do biquine para facilitar o trabalho do tatuador. Explicando melhor, a minha tatuagem fica abaixo da axila, meio que nas costelas e costas (um lugar doloridooo). Com o biquine fica mais fácil ele tatuar pois pode colocar a alcinha para baixo e tals. Sem falar que a tinta poderia sujar algum sutiã lindo meu.

Cheguei as 10 horas como combinado. Mostrei o que queria fazer e passei a tal pomada anestésica. Ela fez aumentar R$ 50 o custo da minha tatuagem, mas confesso que sou fresca mesmo e paguei esse valor. Meia hora para ela fazer efeito, desenho pronto, analisado e "carimbado" no local da tatoo. Vamos começar! Opaaa! Cadê minha irmã Bruna? Tinha que ter alguém ai comigo e minha irmã seria uma pessoal legal nesse momento. Mas ela estava fazendo provão na universidade. Encomodei algumas vezes no celular e combinei com ela. Ufa, ela chegou bem na horinha do início da tatuagem. Valeu mana!

Todos posicionados, 11 horas da manhã, maquininha ligada fazendo aquele barulho que assusta. Parece barulho de dentista misturado com sei lá. Ziiiiiiiiiiii! Primeiro traço... opa! Peraí!!! Isso aqui tá doendo! Aham, a tal pomada não adiantou! Pois é pessoas, a menina aqui medrosa encarou a tatoo mesmo assim. Confesso que já fui preparada caso a tal pomada não desse resultado. Ainda bem...

O começo foi pela frase, quando ela estava quase pronta o aviso: "Bruna chega ai que vou desmaiar! " Fiasco feito, pessoas abafadas e preocupadas. Mas existem situações difíceis de controlar: "Ai tá ficando tudo amarelo ó", relatei meu momento quase desmaio. Ainda bem que não cheguei a cair. Copinho de água, cabeça entre as pernas, respirando fundo... opa to branca ainda mas to melhorando. "Pode continuar Ulisses!" Ah não falei para vocês, quem acabou fazendo a tatoo foi o filho do Edinho, o Ulisses. Confesso que fiquei bem feliz por isso ter acontecido. O menino é bom e tinha lido que ele foi vencedor de um prêmio de tatuagem em tons pretos com degradê, bem do estilo que eu queria a minha. E o trabalho continuou... não desmaiei, não fiz mais fiasco, aguentei a dor por uma hora e minha tatoo ficou linda. Amei! Doeu mas amei! Ah e quase desmaiar não é um caso isolado, outras pessoas também tem esse tipo de reação. Mesmo eu achando a dor suportável, acho que a pomada ajudou um pouquinho, não tem como controlar e a pressão baixa. Coisas da vida...

Minha homenagem foi feita. Agora carrego as pessoas que mais amo no meu coração, na minha mente e na minha pele. Simbolos que valem muito. Um ritual que quiz fazer agora no final do ano, pois sei que no ano que vem vou ficar longe deles. Vou sair de casa, morar sozinha, me virar e a saudade vai apertar, mas eles vão estar ali.

Um comentário:

Pedro Ferreira disse...

Também tenho uma tatuagem em que levo os meus pais aonde vou. Assim como a sua, a minha doeu bastante, mas foi sem a pomada. Aliás, não acredito muito no potencial das mesmas, mas também nunca usei pra poder ter uma opinião mais encorpada.

Sua tatuagem ficou muito bonita, Ulisses fez um bom trabalho.