sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Adeus!

Nos meus 26 anos (putz falei!) de vida na mesma rua, a São Vicente de Paula, ela sempre esteve ali: na frente da sua casa. Qualquer movimentação na rua lá estava ela. Chegou alguém? Tem vendedor ambulante? Estão tirando os matinhos? Opa a Magali está de namorado novo? Era assim, todos os dias olhando pela janela a vida da minha rua, não querendo perder nenhum momento da vida alheia. Cuidando dos netos, do marido, e aturando um dos filhos que só atrapalha. Sempre dando um tchauzinho na hora que venho para o trabalho e perguntando: "Estava em Florianópolis Maga?" "Sim, estava dona Nadir", respondia. "Vai para a praia?" "Sempre né dona Nadir, com esse solzinho ainda." Talvez cuidava tanto da vida alheia por não gostar muito da sua, ou ainda porque com o tempo as coisas para se fazer vão reduzindo. Confesso que isso as vezes até me irritava, mas me acostumei com a minha vizinha da frente.

Todos os meus parentes conheciam a dona Nadir. Ela fazia questão de estar presente, mesmo que de longe, em todos os momentos. Também era na casa dela que sempre acontecia um dos dias da novena, e quantas fui ali. Se não ia ela perguntava: "Não veio porque? É bom rezar menina." O marido dela, já falecido, também era marcante. Não tanto ele mas o cigarro de palheiro que ele fumava.

Mas hoje escrevo e lembro disso tudo com lágrimas nos olhos. Ela não vai mais poder olhar a vida através de sua janela, pois para ela a vida nesse mundo acabou. Vá em paz dona Nadir e obrigada por todos os oies, tchaus, frases e comentários que a senhora fez. Obrigada por ter feito parte da minha infância e desses 26 anos de vida. Acho que minha vida era até legal de ser acompanhada, mas logo agora que ela vai melhorar a senhora nos abandona? Só para a senhora saber: vou morar em Florianópolis a partir do mês que vem. Vai ser bem legal e a senhora não podia ficar sem saber essa.

2 comentários:

Xana disse...

Por vezes há pessoas que existem na nossa vida à anos e só damos conta que fizeram parte da nossa vida , quando desaparecem... é o caso da Dona Nadir.

beijo de bom fim de semana

Magalices disse...

Mas eu sempre tive consciência que ela fazia parte. Aquela rua ali toda faz parte. :D
Bjus!