terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Saudades do meu Duke

No verão passado li Marley & Eu, até postei algo sobre o livro aqui no blog. Nesse verão, também nas minhas férias, assisti o filme. Vou escrever algo que todos já ouviram falar por ai sobre essas adaptações: o livro é melhor que o filme. Convenhamos, é difícil a competição entre uma equipe e nossa imaginação. Em ambos chorei muito. Acho praticamente impossível não chorar, ainda mais se você já teve algum super amigo assim. Nossos cachorros são as pessoas mais arteiras do mundo, roem tudo que enxergam, fazem xixi em todas as partes da casa, choram, tremem que nem varas verdes durante as tempestades, saem correndo que nem loucos para você ir atrás, te amam mais que ninguém, te fazem sorrir, chorar, dormem contigo, latem de felicidade ou por alerta, vivem do seu lado sempre. Tenho uma nova companheira aqui em casa, ou para me acostumar, na casa dos meus pais. A distância talvez faça com que não sejamos tão amigas assim, mas sei que ela vai fazer festa quando eu vier fazer uma visita.

O filme me fez lembrar só de um dog, o mais especial de todos: meu Duke. Ele chegou na minha vida quando tinha 15 anos. Cabia na palma da minha mão, era tão peludinho e fofo. Não sabia nem andar na grama, ficava caindo para todos os lados, comia raçãozinha com leite e mel para não ficar gripado. Dormia em um cesto 10 vezes maior que ele entre a minha cama e da minha irmã. O chão do nosso quarto que era de madeira ficou todo manchado dos xixis que ele fazia. Naquele tamanhinho eu nem conseguia saber se ele estava fazendo xixi ou não. Era um teimoso e vingantivo poodle do signo de escorpião, nascido dia 17 de novembro. Tinha uma raiva mortal de pé, porque minha mãe teimava em forçá-lo a comer colocando o pé no pote de ração. Lembro de ter chorado algumas vezes por causa de suas mordidas, não por dor física, era emocional mesmo. “Meu cão me mordeu? Não pode, ele é meu cão.” Ele também conseguia ser muito ciumento. Se algum namorado chegasse perto dava um jeito de se meter no meio. “Hei, essa daí é minha!” Era um parceirão. Ficava do meu ladinho quando eu estava doente, triste ou tinha cólicas. Era impressionante como ele sentia que eu precisava dele. Lembro de como ele enxergava coisas que nós não conseguíamos, ele era especial. Só que daí apareceu a Mel, outra cachorrinha muito fofa! E claro ele se apaixonou a primeira vista. Na real essa foi mesmo a intenção da minha mãe quando trouxe a Mel aqui para casa. Sabíamos que filhotes não poderiam vir, meu Duke era estéril por causa de uma maldade que a criadora dele fez. Dizem os veterinários que ela fez de propósito para que ele, lindo como era, não procriasse. Mesmo ele estando meio velhinho ou após ter perdido alguns dentes antes da hora por causa da falta de cuidados dos donos, ela também gamou. O bom dele não ter mais alguns dentes é que as mordidas nem doíam mais.

Até que um dia o amor e a busca pela liberdade falaram mais alto. Eles, Mel e Duke, fugiram rua acima ou abaixo. Nunca mais achamos. Sempre me lembro deles e penso: tomaram que estejam bem e que não tenham sido atropelados. Tenho um medo de atropelamento de cachorro. Hoje o Duke está com quase 12 anos, será que ele ainda está vivo? Lembro que chorava tanto ao imaginar que um dia ele iria me deixar. Saudade deles. Opa, Ayla! Para de morder o fio.... tenho que parar de escrever minha pintcher filhote retardada está aprontando mais uma. Sabe como é, esses dogs são umas pestes, mas são um dos maiores presentes da vida.

“Cãoes não precisam de carros luxuosos, casas grandes ou de roupas chiques. Água e alimento já são o bastante. Um cachorro não liga se você é rico ou pobre. Esperto ou não. Inteligente ou não. Dê o seu coração e ele dará o dele.De quantas pessoas podemos dizer o mesmo? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas nos faz sentir extraordinários?” (Trecho do finalzinho do filme)

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