segunda-feira, 20 de abril de 2009

O morro aqui perto de casa

Quando vim para Florianópolis tinha planejado morar na praia. A minha escolha era o Campeche por ser razoavelmente perto do centro, um lugar legal e estruturado. Hoje conhecendo um pouco mais o trânsito da cidade agradeço por não ter ido morar por lá. É um caos chegar até o centro todas as manhãs. Uma hora do dia perdido em fila certamente. E depois para voltar para casa mais engarrafamento. Vim morar na cidade.

Da janela do meu quarto vejo a UFSC, Universidade Federal de Santa Catarina. Moro bem pertinho desse espaço destinado ao conhecimento. Gosto disso. E gosto também por estar perto de farmácia, supermercado, hospital, locadora, bares, pizzaria, academia, aula de ingês e ioga. Algumas coisas pretendo frequentar bastante, já o hospital prefiro ficar longe. Mas moro também perto de um morro, um dos famosos morros da cidade. Meu condomínio fica na subida da Serrinha, bem no começo da rua. Mais acima fica a comunidade da Serrinha e dizem as más linguas, ou as línguas antenadas na realidade da cidade, que o local é da pesada. Confesso que fico as vezes esperando ouvir algum tiro, alguma coisa acontecendo e não escuto nada. Acho que estou meio longe do movimento e também nem sei diferenciar o som de um tiro mesmo. É parecido com fogos de artifício?

Na quinta-feira que passou a polícia subiu o morro. Na verdade não precisou subir muito, um pouco acima da entrada do meu condomínio um assassinato aconteceu. Um homem foi morto com três tiros. Dizem ser acerto de contas, não sei. Só sei que foi aqui pertinho. Hoje fiquei pensando e formulei a seguinte pergunta para mim mesma: até onde o morro chega a mim? Vieram as seguintes respostas e mais perguntas à minha mente:

- Acho que os acontecimentos no morro ficam lá. E os acertos sempre são entre eles.
- Ainda não soube de nenhum assalto aqui perto, talvez seja dessa forma que eles podem chegar até mim.
- Sei que a maioria das pessoas que moram ali não tem nada haver com a história do tráfico e isso realmente é triste.
- O movimento do babado deve ser durante a noite, então teoricamente durante o dia não tem problema algum andar por aqui.
- Estou no começo da rua e o morro é bem mais para trás, tudo bem então.
- Eu realmente estou preocupada com o que pode me acontecer?
- O que a polícia vem fazendo para tentar reverter esse problema? Acho que liberar seria realmente uma saída.
- É uma pena uma cidade linda assim ter esse tipo de problema.
- O Morro da Cruz é um verdadeiro complexo de comunidades perigosas, só estou próxima a uma delas. E quando eu for trabalhar em um dos veículos lá em cima? (no morro da cruz ficam o Jornal Notícias do Dia, Record TV e News, RBS Tv e Jovem Pan. Eu queria trabalhar em algum deles certamente, e espero fazer isso no futuro próximo).
- Que problema social danado...
- Acho que estou vendo cabelo em ovo. Não há motivo para medo, paranóia ou algo do gênero.
- Enfim, se for para acontecer algo errado, esse algo errado acontecerá.

Eu não ouvi os tiros do assassinato aqui perto de casa, mas ouvi a movimentação da polícia pensando que o fato acontecia realmente no morro. Não tenho medo da situação, não tenho nenhum preconceito sobre nada e nem sei realmente o que pensar. Só sei que moro perto do morro e nunca convivi antes com essa situação. Estudei em colégio onde havia uma galera que morava em um dos bairros carentes de Criciúma. A maioria dos pré-adolescentes era envolvida com drogas, violência gangues e etc. Sei que um deles morreu, outro virou pastor, outro tem um projeto social também ligado à igreja evangélica, outro é professor de jiu-jitsu e outros são traficantes da classe média. Eles moravam longe da minha casa... mas será que para a violência existe distância? Não sei.

Um comentário:

mayaracopetti disse...

A Serrinha é perto do meu ap em Floripa... sei bem como é ali, já ouvi comentários de quem mora por ali tb.