terça-feira, 16 de junho de 2009

Saindo sozinha no dia dos namorados

Fiquei todo final de semana que passou em casa e sozinha. Culpa da falta de dinheiro atual. Não é culpa da crise viu gente? São as mudanças que estou fazendo em minha vida. Daqui a pouco tudo volta ao normal: com pouco dinheiro, mas com dinheiro suficiente. Nesses três meses de cidade nova ainda não tive tempo de fazer muitas amizades, e para completar ando mais tímida do que nunca. Eu era melhor nisso antigamente, fazia novos amigos em cada lugar que ia. O que mudou? Fazer novas amizades não é tão fácil quando você não está na faculdade ou não trabalha em um local cheio de gente. Mas daqui a pouco mudo tudo isso. A minha nova fase de vida só está começando. Para completar o pessoal de Criciúma que mora por aqui foi visitar a família, efeito feriadão.

Na sexta-feira decidi sair sozinha. Na verdade ir ver um filme sozinha. Era o último dia do FAM (Festival Audiovisual do Mercosul) e seria exibido o filme brasileiro Budapeste. Cheguei do trabalho quase sete horas da noite. Comi alguma coisa, vi o telejornal e fui até a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Sai de casa pertinho das nove horas, horário que iniciava a exibição do filme. Estacionei meu carro e fui até o auditório. Cheguei lá e fiquei surpresa com a fila que vi. Ela era enorme e chegava a ocupar toda frente do prédio. Mas não desisti, fui até o final da fila e fiquei esperando.

- Será que cabe esse pessoal todo lá dentro? Perguntei para a menina que estava atrás de mim.
- Dizem que cabem 1.500 pessoas, aqui na fila não tem isso tudo. Cabe sim.
- Tomara.

Essa foi a rápida conversa da fila. Sempre existe uma conversinha né? E sempre existe quem não goste desse tipo de conversinha. Fiquei ali esperando, ouvindo a conversa dos outros e pensando. Será que alguém notou que eu estava sozinha ali? Será que alguém pensou: "Que menina solitária... e logo no dia dos namorados?". Eu pensaria. Lembrei de uma matéria que li onde uma jornalista foi a alguns lugares sozinha e depois relatou o que sentiu em cada um deles. Também informou quantas vezes foi cantada por alguém e se indicaria fazer tais programas sozinha. Lembro que no cinema foi tranquilo, o lugar ali era parecido, então acho que seria tranquilo para mim também.

Continuei pensando e ainda na fila que começou a andar um pouco. A mulher e a amiga dela que estavam atrás de mim ficaram quietas depois de dizer que chegar naquele horário numa festa era cedo demais. Atrás delas na fila estavam dois homens músicos. Esses falavam bastante. Um tocava violino e o outro guitarra, se não me engano. Lembro do violino porque acho super legal ter um violinista em qualquer banda. Eles até marcaram de fazer parceria porque alguém precisava de músicos. E falavam sobre os lugares legais da ilha. Realmente eles conversavam bastante. Na frente um casal de amigos conversavam sobre cinema. O homem parecia entender mais do que a mulher que estava com ele. Enquanto isso mais pessoas chegavam, pessoas desistiam da fila e alguns só passeavam olhando o movimento. Olhei alguns grupos de estudante e pensei: "Por que não vim estudar aqui?" Quando vi um grupo hippie pensei que eu certamente faria parte de um grupo assim.

- O filme já iniciou pessoal e o auditório está lotado.

Alguém da organização veio avisar o que eu estava imaginando quando iniciei a conversa na fila. A noite realmente foi um sucesso e não caberia mais ninguém no auditório. Ele repetiu o aviso novamente e eu fui embora para casa.


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4 comentários:

Xana disse...

Que azar menina, mas não é nada mau sair sósinha quando não se tem ninguém fixe para o fazermos, mau mesmo é termos alguém com quem ir e irmos sósinha :)

beijocas

Juliana Dacoregio disse...

Sair sozinha não é a melhor coisa do mundo, mas em certas ocasiões dá uma sensação boa, de liberdade, independência. Quando morei em Floripa fui a um show da banda The Platters. Queria muito ir e não tinha companhia, então fui só mesmo. Sempre tem gente que fica olhando, achando estranho, claro que ficam imaginando coisas. Mas eu me sinto o máximo fazendo certas coisas "by myself"!

Filipe disse...

Isso me faz lembrar aqueles filmes de comédia romântica, onde aquela atriz loira (gostosa) e bonita, vai nos lugares tudo sozinha, até acha a cara metade.

O nome dela? não lembro (sou péssimos pra grava nome), mas ela era aquela enfermeirinha no filme: Cidade dos Anjos

Ricardo Chicuta. disse...

Não gosto de sair sozinho,acho estranho,me sinto mal,sei lá...
E o nome da atriz é Meg Ryan Felipe.