Estou no escuro do meu quarto, só a luz do computador ilumina esse ambiente. Na verdade ela ilumina minha face, o restante continua escuro. O ventilador no teto refresca a temperatura de quase verão. Nem está tão quente assim, mas o barulho me faz dormir melhor. Tudo escuro, tudo fresco, tudo é silêncio. Resolvi escrever e falar o que vejo pela janela do meu quarto: luzes que iluminam quartos, salas, cozinhas, banheiros de desconhecidos. Sim, vejo prédios. Muitos por sinal. Vejo também um hotel e conto quantas luzes estão acessas para eu ter noção de quantas pessoas dormem ali esta noite. Em dias de lua cheia ela também aparece na minha janela. Toda manhã é o sol que dá sinal que mais um dia começou. Ele algumas vezes me acorda, outras é ignorado e fecho a janela para que a luz não entre. A maioria das vezes a janela está ali, aberta para o que posso ver através dela. Aberta para a luz, para a escuridão e para tantas outras janelas.
Na casa dos meus pais a janela do meu quarto tinha a visão da janela da casa da minha vó. Foi ali que ela deu o último tchau e muitos gestos de beijos antes de morrer. Por um tempo minha janela ficou fechada. pois o que eu mais queria ver não estava ali. O que eu tinha em mente eram as conversas, os recadinhos, os tchaus e os beijinhos mandados por quem eu tanto amei. A lua também me visitava, e as estrelas iluminavam a escuridão do quarto.
A janela do meu quarto continua com o brilho da lua, com o charme das estrelas e com um novo visual. Só que hoje ela é a minha janela. Ela tem um pouco do que escolhi para minha vida: mudanças, novidades e vontade de conhecer ainda mais tudo o que vejo. Quem sabe a próxima janela vai ter o mar como paisagem. Daí sim pensarei: enfim a janela que sonhei.
0 comentadores:
Postar um comentário