terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O morro aqui perto de casa

Uma coisa que existe muito em Florianópolis, além da praia, é morro. É o da Caixa, da Serrinha, do Horácio... E eles são os atalhos para eu chegar na TV, que fica no Morro da Cruz. Dos caminhos eu só conheço o que passa pelo morro do Horácio. O trajeto até meu trabalho é reduzido muito quando escolho esse caminho. O interessante é que em duas ou três "subidas" para o trabalho descobri onde fica a boca e a casa da dona do morro. Sem falar que os meninos (cinegrafistas e motoristas) dizem que a galera da boca sempre manda recados, por exemplo: "chegou o branco". Entenderam né? Também mostram tijolos de maconha e ficam todos felizes por estarem ali. Sabe o que é mais assustador que isso? Muitas vezes são crianças e adolescentes. Inclusive um dia desses, em uma das minhas subidas, vi um menino de no máximo 12 anos trabalhando na boca. Ali sozinho, embaixo de chuva e talvez sem outra opção de futuro. Dai você pensa: "Há Maga existe sim. Ele é vagabundo por que quer." Acho que só vivendo ali naquela comunidade para entender. Já fiz alguns trabalhos de conclusão de curso em comunidades carentes de Criciúma. E sei que muito não enxergam outro caminho. Não enxergam futuro. Apenas esse caminho, um caminho sem volta, um caminho nada interessante. Um menino que apesar da cara de criança pode ser perigoso, pois o meio em que ele vive ensina isso. Um choque de realidade, mais uma vez algo que faz pensar. Senti dó, sinto raiva, sinto também uma impotência, mas continuei meu caminho.

Sabe o que esse texto fez lembrar? A música Ei Moleque, da John Bala Jones.

Um comentário:

Ricardo Chicuta. disse...

Pessoas que dizem que eles estão ali por que querem estar e são vagabundos são as mesmas que compram a droga dos moleques.Das suas casas de classe média fica bem fácil falar.Quero ver se tivessem nascido ali.
O documentário "Falcão,meninos do tráfico" dá uma boa idéia do que é essa "Vida Loka".