terça-feira, 13 de abril de 2010

Um novo tipo de loteria?

Um mercado que movimenta 1 bilhão de reais por ano. Ganham escolas, empresas que elaboram as provas, editoras, sites especializados e até agências de turismo que fazem grupos para viagens até o local das provas. Bem-vindo ao mundo dos concursos que começou lá em 1934 como uma forma de reduzir o desemprego no Brasil, estruturar o quadro funcional e dar uma estabilidade para o funcionário do setor público. É, e isso não mudou muito até os dias atuais. Passar em um concurso continua sendo uma forma de estabilidade financeira. Sobre o quadro funcional, bom isso eu não. Só sei que mais ou menos 5 milhões de brasileiros encaram as provas todos os anos. Minha irmã faz parte desse grupo, já eu nunca fiz um. Mas já fui fiscal em alguns. É, eu também já ganho uma graninha dessa movimentação bilionária ali.

São muitos candidatos, poucas vagas, muitas horas de estudo, alguns QIs camuflados, vitórias e derrotas. Descrevo assim todo esse processo de concursos. E tento imaginar como eles fazem para selecionar as pessoas que acertam a mesma quantidade de questões. Será que saber a teoria é o suficiente para se sair bem na prática? Será que sou anormal por não estar lá do outro lado, o lado de quem faz a prova e não de quem fiscaliza. Não sei, só sei que gosto do que faço e observar as pessoas enquanto elas fazem as provas rende textos para o blog. Ah, e quero dizer que esse esquema todo parece uma loteria. A de que se você acertar mais questões você ganha a felicidade da estabilidade financeira. Boa Sorte então.

Fiscalizando mais uma vez eu estava

Já eram quase 8 horas da noite de sábado quando minha prima ligou e disse: "Maga tem vaga para trabalhar no concurso de amanhã, topa?" Eu do meu ladinho da linha disse: "Claro, esse mês preciso muito de um extra." E qual mês não preciso? Então veio a bomba: "Tem que estar na escola às 6h15min tá?" Eu disse tudo bem mas cheguei atrasada no outro dia, mas foram só 15 minutinhos. Planejei dormir cedo, só que decidi ver um filme. Um sonho possível foi a pedida da noite. Queria algo emocionante para quem sabe me dar soninho. Enquanto isso eu baixei alguns clipes da internet, queria uma trilha sonora para fazer eu dormir cedo. Quem disse que dormir cedo é fácil? Para mim é muito difícil. E assim foi mais uma vez. O filme não me deu sono, a trilha era boa mas eu queria cada vez mais clipes e minha mente incansável não parou de pensar. Nessas horas alguém para fazer um cafuné ou para dormir de conchinha cairia bem. Tá um remedinho também, mas prefiro alguém, um cafuné e dormir de conchinha. Dormi 1h30 da madrugada e acordei 5 horas assustada com o som do despertador. Apertei soneca, soneca, soneca... meia hora depois resolvi levantar, tomar banho, café e sair.

Cheguei na escola e as turmas eram das Manoelas, Marcelas, Marcelos... Tinha patricinha com roupa da Gucci, Dolce & Gabbana e Luis Vuitton no mesmo modelito; tinha mocinha, tinha tiozão, tinha esquizitões, tinha descoladas, praieiras, senhoras, mães, filhas e avós. As mais conscentradas, as dispersas, os faladores, os que olhavam para o nada em busca de respostas. Os cuidadosos que usavam lápis em todas as questões e depois cuidadosamente passavam tudo a limpo com caneta preta. Os que trocavam de resposta ao fazer isso, o que não acho muito legal porque a intuição geralmente está certa. Há e teve um que demorou quase uma hora e meia para fazer uma redação de no máximo 30 linhas. Claro que comparei com o jornalista que escreve várias dessas e em minutos. E tinha minha colega de trabalho. Uma professora de português com quase 50 anos, alta, magra, cabelos grisalhos desarrumados na altura da orelha, com um rosto marcante de quem era bem bonita quando mais nova. Não que ela não fosse mais, mas as marcas do rosto deram a impressão que ela não queria manter a pele tão bonita assim. Uma mulher muita história para contar, e algumas partes ela contou na meia hora de intervalo que tivemos. Que teve filhos cedo, morou na Europa, casou, separou, mudou de casa várias vezes e hoje encontrou seu lugar. Não sai de Floripa de jeito nenhum. Ah ela mostrou a foto dos filhos, a mais velha tem a minha idade. O mais novo é lindo. No restante das 13 horas de convívio eu li a biografia do Tim Maia por Nelson Motta e a Super Interessanta desse mês. Tudo isso enquanto os coordenadores estavam longe, claro. Ela espiou esses livros também. No final do dia recebi meu dinheiro e fui embora.

As outras pessoas que fizeram parte deste dia aguardam a resposta da loteria. Tomara que eles tenham tido sorte. As caras anunciaram que a prova estava difícil.

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