domingo, 18 de julho de 2010

Eita gordinho doidão, chato e engraçado

Nos anos 50 ele tentou fazer rock, na verdade foi obrigado a fazer pois era a modinha da vez. Imitar Beatles e Elvis era o que Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Jorge Ben também faziam. Sem falar que eles também tinham outro objetivo em comum: namorar as menininhas de Copacabana. Depois ele tentou fazer o som black que ouviu em sua estadia nos EUA. Uma de suas casas foi uma cela da prisão americana. Quem é esse cara? Ele pedia sempre mais agudo, mais eco, mais retorno, mais tudo. Sebastião Rodrigues Maia, o inventor do samba soul. Terminei de ler a biografia Vale Tudo escrita por Nelson Motta, produtor musical e amigo de Tim Maia. Aprendi um pouco mais sobre a música brasileira e sobre o jeito Maia de cuidar de sua vida. O gordinho conquistou a fama, 300 processos, não apareceu em muitos shows, não apareceu nas audiências dos processos, não apareceu nos programas de TV, mas mesmo assim fez muito sucesso e se autodenominou cantor brega. Suas breguices mais conhecidas são Primavera, Chocolate, Azul da Cor do Mar e Sossego. Ele chegou a ser o gordinho da vez, mas não um gordinho de confiança. A culpa era do seu temperamento, do seu jeito de administrar sua vida e do seu esporte favorito: o triátlon. Só que o esporte era no estilo Maia: uma maratona de uísque, cocaína e maconha sem hora para acabar. São tantas histórias desse famoso gordinho que fugia do médico como vampiro da cruz. E também fugia do palco, ou de qualquer outro lugar, quando algo não lhe agradava. Bastava pronunciar a palavrinha mágica: estratégia. Sua banda Vitória Régia saia correndo atrás. Sua última apresentação foi no Planeta Atlântida, na praia de Atlântida, de 1989. E março daquele ano ele iria gravar um especial para o Multishow, mas passou mal no palco. Dessa vez a culpa não foi das drogas, ele não havia fumado e nem bebido. Inclusive ele tinha reduzido muito isso tudo. Ele sofreu uma crise de hipertensão, embolia pulmonar e parada cardiorrespiratória. Saiu vaiado do palco, foi parar numa UTI e morreu uma semana depois.

Vale muito ler essa biografia. Você vai sentir raiva, vai rir e vai entender um pouco do jeito Maia de ser. Para começar a entender um pouco o jeito desse doidão leia essas frases pronunciadas por ele.

"Não fumo, não cheiro e não bebo, mas às vezes minto um pouquinho", dita pela primeira vez numa entrevista a VEJA.

"O Brasil é o único país onde prostituta tem orgasmo, cafetão tem ciúme e traficante é viciado. E pobre é de direita".

"Fiz uma dieta rigorosa, cortei o álcool, gorduras e açúcar. Em duas semana perdi 14 dias."

"Dos artistas do Rio, metade é preto que acha que é intelectual e metade é intelectual que acha que é preto."

"Mais grave! Mais agudo! Mais eco! Mais retorno! Mais tudo!" O jeito Maia de reclamar dos técnicos de som. Ele usava com frequência, com muita frequência.

"Com os acordes que tem em uma música do Tom Jobim dá para fazer umas cinquenta."

"Isso é desumano. Nem no fundo musical do Xou da Xuxa eu posso cantar. Assim as crianças crescem sem saber quem é o Tim Maia." Comentando sobre a decisão da Rede Globo de banir Tim de todos os programas da emissora, depois que ele faltou ao Domingão do Faustão.

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