sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Ahh se eles fossem assim...

Tenho a mania de ficar fuçando tudo quanto é portal de notícias, e sempre caiu na parte astrológica, teen ou de fofoca. Aqui no meu trabalho cortaram as páginas de esporte, caso contrário acessaria também. Hoje espiando o portal Terra (http://www.terra.com.br/), encontrei as 25 frases que um homem não falaria. Concordo com algumas e descordo de outras. As frases são:

1. Já que eu estou em pé, quer alguma coisa? (essa no começo eles falam)
2. Você parece triste. Quer conversar? (ah já ouvi essa ai: ui que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?)
3. Por que a gente não vai no shopping e você escolhe alguns sapatos novos?
4. Acho que precisamos discutir nossa relação. (neverrrr!)
5. Sexo não é importante. Vamos ficar apenas.
6. Antonio Banderas e Brad Pitt? A gente precisa ver esse filme! (ainda bem que ele não fala isso!)
7. Quer ajuda para escolher os sapatos?
8. Você está com dor de cabeça? Deixa que eu pego um remédio para você e faço uma massagem para relaxar. (aixi que fofo! bem que podia né?)
9. Eu não sei o caminho. Vamos parar e perguntar. (e deixar o orgulho de pensar que sabe tudo de lado? nem nem)
10. Eu seguro sua bolsa enquanto você experimenta outra roupa. (prefiro amiga na hora de comprar)
11. Esse vestido ficou bom, mas por que você não experimenta mais alguns?
12. Aquela mulher tem os seios muito grandes.
13. Você cortou o cabelo? (já ouvi isso!)
14. Esta noite quero te dar tudo o que você merece. Vamos ao restaurante mais caro da cidade.
15. Deixa que eu lavo a louça. Hoje é domingo e você merece descansar. (se falar é porque está com febre!)
16. Querida, telefone para você. É o seu melhor amigo. (só se o amigo for gay, e mesmo assim ainda ficaria com ciúme).
17. Eu acho a Sabrina Sato tão artificial (nunnnncaaa diriam isso!)
18. Prefiro ficar com você. Só vou ao bar se você for (essa mesmo! eles querem é que você fique em casa)
19. Você vai marcar horário para fazer as unhas? Veja se tem um para mim também, por favor
20. Já coloquei a roupa suja na máquina. (ahh isso é fácil de fazer, mas tem que ter força de vontade).
21. O seu sapato não está combinando com a sua bolsa. (fala se for perguntado)
22. Não compre na primeira loja, vamos andar mais um pouco para você escolher melhor.
23. Acho que a empregada deixou poeira em cima da geladeira.
24. Vou reclamar com o vizinho dessa história de a mulher dele ficar só de calcinha na janela. (é capaz de pedir para andar mais isso sim hauahua)
25. Amor, por que você não está enroscando os seus pés nos meus hoje?


A mensagem disso tudo é que muitas vezes esperamos uma coisa e os homens fazem outra. É provado e comprovado que homens e mulheres são diferentes em muitas coisas. Só que algumas mulheres não sabem disso. Aceitar as diferenças é difícil, parabéns para os casais que conseguem. Já que hoje é tudo tão: não faz do meu jeito? Acabou então. Claro que existem coisas que realmente passam dos limites, vai de cada um saber o que é melhor pra si.

Mas se eles fizessem tudo o que queriamos qual graça teria? O bom é sentir que estamos no comando e eles fingirem que obedecem.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Texto e foto: Magali Colonetti

Moradora de um dos bairros mais pobres de Criciúma, o bairro Renascer, Ângela Freitas Machado é uma típica brasileira que sobrevive com o uso da malandragem. Com 38 anos não sabe ler, pois tem dificuldade em aprender, cata lixo e ganha algumas coisas. Existem mulheres que sempre ajudam e são consideradas "fixas". Doam comida, roupa e até móveis usados. Quando a situação aperta é delas que vem a ajuda. No lixo encontra objetos e itens que usa em casa ou vende para os vizinhos por R$ 10,00, ou outro valor, dependendo do que for. "Acho brinquedos, roupa, pulseiras... achei uma cortina e um conjunto de toalha, quer ver?" Na parede da cozinha de sua casa vários quadrinhos com fotos, imagem do sagrado coração de Jesus e penduricalhos encontrados nas lixeiras por aí.

Na verdade quase tudo da sua casa foi encontrado no lixo. Só o liquidificador e um tanquinho elétrico de lavar roupa ela diz ter comprado. Durante a entrevista uma de suas vizinhas veio perguntar se tinha flor de plástico. Geralmente é no centro onde ela faz esse trabalho. Até um carrinho é utilizado para carregar o que é encontrado. Uma ação incentivada pela prefeitura que quer acabar com carroças no centro. Esse veículo é muito utilizado pelos catadores, e algumas vezes até crianças "dirigem" nas avenidas movimentadas da cidade. Mas um tombo acabou resultando numa lesão em sua perna esquerda, e por enquanto ela não pode sair de casa. Para andar tem o auxílio de uma vassoura azul velha que ela chama de bengala. Até tem uma muleta, mas prefere a vassoura.

Ângela começou a catar lixo quando era adolescente. Antes não necessitava e seus pais não deixavam. Sua mãe Josefa era do lar, e seu pai Alberto mineiro. Nascida em Criciúma, foi criada junto com sete irmãos. Hoje são apenas quatro. Dois morreram e um sua mãe afirma ter doado.
A dificuldade de aprendizagem de Ângela é resultante de um problema mental, que ela mesma não sabe qual é. Mas seu comportamento é de menina, às vezes até de criança. Ri, tem vergonha, mas ao mesmo tempo tem uma esperteza que só. Ângela tentou estudar e aprender a ler, mas até hoje não sabe escrever seu nome.


assou pela Sociedade Criciumense de Apoio aos Necessitados (Scan). Que hoje é o Bairro da Juventude, uma instituição que atende 1200 crianças e adolescente. Lá eles passam pela educação infantil, fundamental, laboratórios educativos e também pela educação profissional. Ainda recebem cuidados médicos, transporte, alimentação. Tudo isso buscando a promoção e a inclusão dessas pessoas que precisam de oportunidade. Ali as professoras, entre elas uma que Ângela não esquece, a Dona Angélica, notaram que ela era especial. Então houve um encaminhamento para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Criciúma. Gostava muito de freqüentar aquele lugar, principalmente porque tinha que andar de ônibus e andar numa bicicleta onde se pedala e pedala e não sai do lugar. É assim a descrição da catadora para a bicicleta ergométrica. "Legal aquilo né? Eu gostava um monte!". Também gostava das amiguinhas na Apae que não a ficavam chamando de louquinha. "Na Scan elas passavam por mim e falavam: louquinha, louquinha. Eu dizia: ahhh louquinha é? E saia para bater nelas. Uma amiga minha me ajudava. Sempre era assim", lembrou, gesticulou a situação e ainda riu muito da situação.

Ao mesmo tempo em que freqüentava a Apae, Ângela trabalhava. Com 14 anos era empregada doméstica e ainda cuidava da criança de uma família. Mas uma "travessurinha" rendeu sua primeira gravidez. O pai? O próprio patrão. Nasceu Luiz Antônio Machado, que hoje tem 19 anos. Menos de três meses depois do nascimento de Luizinho, ela se "juntou" com João Amaro Mendes, um cara baixinho e magrinho com quem vive há 18 anos. O termo se juntar significa que eles estão juntos, mas não casados legalmente. Fato muito comum nessas comunidades mais pobres. Já ficar 18 anos juntos com a mesma pessoa não é assim tão comum. Sem um local para morar, eles viviam no meio do mato, em uma cabana de plástico. Eram ratos, mosquitos e uma forma de vida miserável. Para sobreviver ela e o marido começaram a catar lixo e pedir ajuda. "Eu protegia o Luizinho dos ratos, senão eles mordiam o meu filho". Por incrível que pareça, Ângela gostava daquela época.

Seu segundo filho se chamava Diego. Ele viveu apenas um ano e dois meses. Morreu com desidratação, vômito e febre no hospital. Ângela não sabe dizer o por quê desse estado clínico do menino. No dia anterior à morte do filho, a visita foi especial e com muitas brincadeiras. Para animá-lo, pedia para bater palminha, e ele batia bem devagarzinho. Estava muito cansadinho, mas parecia estar um pouco mais forte. Ela saiu do hospital pensando que no outro dia seu filho estivesse melhor. Quando voltou, na manhã seguinte, ele estava morto. Nada mais poderia ser feito. Queria pegar o filho, fazer ele bater palminha, mas não dava. Um momento de muita tristeza em sua vida.

Depois foi a vez de Sabrina vir ao mundo. Ela acha que Diego era a cara de Sabrina, fato comprovado quando olha uma foto do menino que ela guarda. Com 15 anos, ela é definida pela mãe como muito esperta. Estuda a noite na escola do bairro, e está cursando a sétima e oitava séries. Na adolescência os namoricos começam a surgir e ela está ficando um pouco namoradeira demais. Na noite anterior da entrevista ela chegou em casa às cinco da manhã. Sua amiga Talita, de 14 anos, foi sua companhia em um evento natalino de uma loja da cidade. A festa acabou meia-noite. Talita se adiantou respondendo: "Pra nós a festa terminou às cinco, né Sabrina?". Mas Ângela, com seu jeito avoado e visão de criança, nem liga muito pra isso, o que preocupa a assistente social Josefina Kohler Dagostim, que faz alguns trabalhos com as famílias do bairro. "Muitas meninas estão grávidas com 13 anos, não querem nada com nada. Eu cobro sempre da Sabrina para que ela estude e cuide de sua mãe. Mas é um trabalho muito difícil", explicou. Neca, como é mais conhecida, há quatro anos visita aquele bairro. Ela faz parte de um grupo da Igreja Católica que realiza esse trabalho. O bairro pertence à Paróquia São Paulo Apóstolo e, por conseqüência, é sua responsabilidade orientar aquelas famílias. Neca me ajudou a achar Ângela e me levou até sua casa. Ali é o terceiro lugar do bairro onde ela mora. Ângela já morou também em outro bairro pobre da cidade, o Anita Garibaldi. São invasões que se tornaram favelas e hoje estão sendo melhoradas aos poucos. Mas muita pobreza ainda é vista. O Renascer até há pouco tempo era conhecido como Mina 4 e o Anita Garibaldi como Mooca, uma alusão ao bairro rico da cidade de São Paulo.

O Luizinho, o filho mais velho de Ângela, também é um problema. Desde os oito anos já era usuário de crack. Ângela acredita que ele tenha largado esse vício, mas Neca tem suas dúvidas. Ele catava lixo e trocava por droga. Muitas vezes ficava na rua, fugia de casa, e por isso não ia para escola. Luiz estudou só até a primeira série. E parece não ter nenhuma perspectiva de vida. Não trabalha e quando apronta sai de casa. No dia da entrevista mesmo, ele estava na casa da vó.

- Oh Neca, não tem nenhum trabalho para o Luizinho?
- Olha, não sei direito. Mas posso ver algo. Mas o Luizinho tem que estudar também, né João.
- É, esse guri não quer nada com nada. Fica aí o dia todo dormindo. Só vem comer e vai pra rua.
- Ah, não é bem assim João, disse Ângela defendendo o filho. Ele é bem espertinho, mas às vezes dá umas besteiras nele. Às vezes ele aparece com celular, DVD, Mp3, esses aparelhos modernos aí. Ele cata um lixinho, que compra ué. Ou faz troca. Esses dias ele trocou a bicicleta por um celular.
- Não sei não o que faz esse garoto - resmungou João, enquanto fazia uma parte da parede nova da casa.


Ao tentar ajudar o menino, muitas vezes foi repreendido pela mulher. "Ele até já apanhou da Ângela acredita?", me confidenciou Neca. Ela também me disse que às vezes aparecem aparelhos eletrônicos que eles não pode comprar. Há suspeita de furtos, mas não é certo que isso realmente acontece.

João também já deu muito trabalho. Foi violento com Luizinho, com a mulher, quebrava coisas dentro de casa e mal parava nos empregos. Ele é alcoólatra e há pouco mais de um ano parou de beber. Nesse mesmo tempo conseguiu emprego em uma fábrica de laje e ganha por mês de R$ 300 a R$ 440,00. Sua remuneração varia por ser baseada em comissão. O dinheiro está sendo investido na ampliação da casa. Guarda todas as notas dos materiais que são comprados numa lojinha do bairro. Eles vão fazer mais dois quartos. Além desses novos, a casa lá tem dois quartos, uma cozinha, o banheiro e um cantinho para lavar roupas, e que também funciona como depósito. As instalações são precárias, faltam móveis, mas até agora é a melhor casa que eles já viveram.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Eu já sabia...

Fatos do passado demonstraram, e do presente confirmam. Eu já sabia. Na real toda mulher sabe quando algo acontece de errado, sexto sentido sempre aflora e geralmente está certo.
Isso não tem mais nada haver comigo hoje, com o meu presente. Mas algumas coisas lembram o passado, que quero esquecer: o lado triste. Tá quase... deixa 2008 vir. Dizem os astros que será o tempo da mudança, se bem que acredito que a nossa vontade influência bem mais.
Que venha 2008. Chega de estilo armandinho: semente, semente, se mente... brincadeira de ontem que encaixa com hoje. Como diria uma amiga minha: é tudo mentiradaaaa!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Então é natal? E o que você fez?

Mais um ano termina, e outro vai nascer outra vez. Realmente essas frases definem essa época do ano. Hora de pensar o que foi feito e o que pode ser feito no ano que vem chegando. E o que deve-se fazer de inusitado. Viva o a reflexão do final do ano. Eu mesma tenho uma listinha básica. Qual é? Tá tá vou dizer: Cuidar mais de mim (fazer academia e ioga) curtir mais a praia e encontrar um novo amor.
E você o que vai fazer? É tão bom parar e pensar na vida. As vezes temos que parar e fazer isso. Essa é a hora!
Feliz Natal!!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Texto e foto: Magali Colonetti

Uma morena de cabelos longos e negros, com aproximados 1,75 m de altura e uma beleza diferente. Voz suave junto com uma maneira calma de falar. A primeira vez que entrei na sede da ONG Deusas da Noite, em Criciúma, a vi de costas sentada na frente do computador. Tive que olhar duas vezes e conversar com ela para ver que ela é uma transexual. Perguntei:

- Como vou te chamar? Ela, ele... como faço?
- Me chama de Jennifer, porque esse é meu nome.

O nome de batismo ela não revela de jeito nenhum. Jennifer Alamini é presidente da ONG que auxilia e orienta travestis, profissionais do sexo, gays, lésbicas, drag queens, homens e mulheres. A sede fica no prédio da prefeitura velha da cidade,num local bem escondido. Outras trans ajudam na ong, com menos freqüência do que as psicólogas Samira Abdenur e Rita Guimarães. Elas recebem o apoio da prefeitura que no último ano passou a ajudar financeiramente.

Esse trabalho fez com que Jennifer mudasse algumas coisas em sua vida. Antes saia para rua todos os dias e em qualquer horário fazia programas. Hoje, fica na parte da tarde no escritório, e alguns dias à noite ela estuda. Raramente vai para rua trabalhar. A maioria dos clientes que atende são fixos ou a procuram através de anúncio. Depois de mais de 11 anos, ela voltou a estudar e quer prestar vestibular para direito. Sonha em poder ajudar e representar alguns dos interesses das transexuais.

Nascida em Lages, ao completar seis anos de idade foi morar em Joinville. Seus pais, Leonil e Vitalina de Andrade, foram em busca de emprego na cidade grande. Além de Jennifer, eram mais seis meninas e dois meninos como filhos. "Ser criada no meio de muitas mulheres não influência em nada não ta? Isso é besteira", explicou. As dúvidas começaram a surgir quando estava na escola, entre a primeira e a quarta série. Via uma menina dançando com um menino nas festinhas, e queria ser a menina. O que esta acontecendo comigo? E por que comigo? Eram dúvidas que surgiam. Entre nove e 10 anos, ela começou a entender que na verdade gostava era de meninos. Nesse período também as crianças já começavam a pegar no pé. Chamavam de veadinho, gayzinho, o que dificultava um convivio melhor entre os colegas. Sua primeira relação sexual foi com seu primo Júnior. Ela tinha 11 anos, e ele 14. Não restaram dúvidas sobre sua opção sexual.

Para ajudar os pais nas contas da casa a escola foi deixada de lado. Conciliar a escola e o trabalho ficou difícil na época. Jennifer não demonstrava e tentava disfarçar sua homossexualidade. Até seus 16 anos manteve a aparência. Ela saia com os meninos escondida, e até chegou a manter um namoro de fachada com uma amiga. Durante um ano elas namoraram até que depois de uma festa, acabaram num motel e mantiveram relação sexual. "Estávamos em mais casais, e todos quiseram ir para o motel. A gente foi, e para não "dar bandeira" fomos para um quarto. Sabíamos o que estávamos fazendo". O resultado dessa única noite foi uma gravidez inesperada. Ela tinha 16 anos e a amiga 18. O pai de Jennifer queria que eles casassem, mas a situação não era fácil. Jennifer foi clara com a amiga dizendo que não queria casamento. Não era a vida que queria. Falou com a mãe da amiga, uma senhora mais idosa e que entendeu tudo. O problema era contar para seus pais. Elas até esperaram um pouco, mas a barriga começou a crescer e tiveram que contar.

Quem primeiro recebeu a notícia da gravidez foi sua mãe. Que também soube da opção sexual do filho e caiu em prantos. Havia chegado o dia em que as suspeitas tinham sido confirmadas. Jennifer não falou com o pai, sua mãe fez isso. Até hoje ela não imagina o que foi dito, mas não foi forçada a casar. O filho chama-se Vinicius e hoje tem 17 anos. Mora com a mãe em Joinville. Segundo ela, ter um pai transexual é encarado numa boa pelo menino.

Com os pais sabendo a verdade, a história mudou. Ela começou a andar com roupas mais modernas, e fazia apresentações como drag queen nas boates em Joinville. Nos finais de semana geralmente dormia na casa das trans, que ficava no mesmo bairro onde morava.
Jennifer era meio revoltada e não parava nos empregos. Esse foi um dos motivos da briga que teve com seus pais. Com 20 anos ela saiu de casa e foi morar em Jaraguá do Sul, distante 44 km de Joinville. Dividia um apartamento com Adriana, uma amiga que hoje já faleceu. A situação ficou ainda mais complicada quando em uma reunião de família discutiu com o pai e com um tio.

- Ah esses veados. Falou Sr. Leonil já um pouco bêbado enquanto conversava com seu irmão.
- Esse veado é seu filho.

Nesse dia ele ouviu pela primeira vez da boca do filho que ele era gay. Pouco tempo depois ela veio morar em Criciúma e aqui começou sua transformação. O primeiro passo foi tomar hormônio feminino. Ele começa a aumentar o seio e reduz os pelos do corpo. Essa substância tem algumas conseqüências negativas causando muita alteração de humor, e com o tempo deixa a pessoa um pouco "birutinha". Todo transexual inicia a transformação assim. Jennifer recomenda a procura de um médico.

Depois do hormônio, foi a vez de colocar silicone injetável no bumbum. No rosto, nenhuma mudança. A não ser a depilação a laser para eliminar a barba totalmente e a modelação de suas sobrancelhas com a maquiagem definitiva. Seus cabelos cresceram, e as unhas foram melhor cuidadas. Toda essa transformação foi feita aos poucos, e sua família, principalmente sua mãe, foi vendo isso também aos poucos. Para finalizar, Jennifer colocou uma prótese de silicone no seio. Fazer uma operação para troca de sexo está fora de seus planos. Ela não tem vergonha do seu órgão sexual. Em contrapartida algumas trans têm. Chegam a ter tanto nojo que acabam deixando de fazer a higiene pessoal corretamente, por exemplo.

Trabalhar na prostituição foi a primeira opção depois da transformação. Muitos clientes surgiram. Alguns fixos e a maioria passivo. Esse é um perfil dos clientes dela, não necessariamente toda trans tem somente clientes passivos. Ela encara realmente como um trabalho e uma forma de renda extra. Tem seu lugar na Avenida Centenário, uma das ruas mais movimentadas de Criciúma. Em Criciúma são em média 42 transexuais. Os clientes na maioria das vezes as procuram para realizar fantasias. A profissional do sexo sempre vai realizar, afinal de contas estão pagando por isso. São homens que pedem sigilo e isso eles têm.

Seu parceiro foi um de seus clientes. Ela conheceu José Alamini logo quando chegou em Criciúma. A união já dura nove anos e seis meses, e ele, assim como a ONG, também mudou sua vida. Com um jeito quieto e meio machão de um homem de 49 anos, ele diz enxergar Jennifer como mulher e não uma transexual. Sempre respeitou o trabalho da mulher, mas vem pedindo para parar. Atualmente mora em Lauro Müller por causa do seu trabalho em uma mina de carvão. Os dois só se encontram no final de semana, quando a Jennifer vai até lá. Ao se aposentar, vai voltar para Criciúma e os dois vão viver com o aposento e o salário que agora ela consegue na ONG. Seu companheiro também foi importante para que as drogas saíssem de sua vida. Desde adolescente foi usuária de maconha, e não saia para a rua sem estar drogada. Na verdade, ela permanecia o dia todo drogada. Um dia, em crise de abstinência, teve uma briga com o marido. A polícia havia apertado o cerco contra os traficantes e maconha na cidade estava difícil de encontrar. Uma quantia era comprada por ela toda sexta-feira. O suficiente para consumir durante a semana. E naquela manhã a entrega não tinha sido feita. Só às 14 horas o traficante teria algo para entregar.

- Vai lá na casa do traficante pra mim. Ele disse pra ir lá às duas da tarde. Vai lá.
- Ta eu vou. Mas saiba de uma coisa: isso ainda vai atrapalhar nosso relacionamento.
Jennifer parou para pensar, e se perguntou: "Meu Deus o que foi que eu fiz? Um cara que não bebe, não fuma, ir na casa de um traficante pegar droga pra mim?". Então ela foi atrás, e viu que ele não tinha ido na casa do traficante. Chegou a brigar por causa disso, mas desde aquele dia nunca mais usou.

Trabalhar como profissional do sexo rende muito dinheiro, mas tudo é gasto sem nenhum controle. O que elas conseguem durante a noite, é gasto durante o dia. São cremes, tratamento de beleza, roupas, sapatos, táxis, festas... tudo muito caro. O padrão de vida delas é caro. Também é muito perigoso trabalhar na rua. Jennifer, por exemplo, nunca carrega o dinheiro na bolsa ou sai de sapato fechado. Já tentaram pegar sua bolsa muitas vezes. No pé um tamanco serve como arma. Também é fácil de tirar, caso ela precise sair correndo. Todas essas situações já são normais para elas.

Nesse tempo trabalhando na ONG e participando das reuniões que os grupos fazem em todo o Brasil, Jennifer viu que existe outra alternativa. Existem prefeitas, juizas, médicas, e várias profissionais que são transexuais. Começou a organizar melhor seu dinheiro, tem sua casa, seu carro, e até já sofre preconceito das demais trans da cidade. O apelo financeiro está sendo deixado de lado, e a busca para que o grupo das transexuais tenha uma melhor orientação está fazendo cada vez mais parte da sua vida. Mudanças que vão além da imagem, e do estilo de vida. Querer ser mais do que a sociedade diz que ela pode ser, e mostrar que todos são iguais.

Chegou a hora de olhar melhor

Capa do Projeto


Nos próximos posts você vai encontrar algumas histórias. Os personagens não são fictícios, e nem são famosos. São pessoas comuns que muitas vezes sofrem algum preconceito, invisibilidade social, humilhação e são marginalizadas. Eles recebem mensagens verbais, ou não, que dizem: você não é bem vindo aqui. Estão ali, mas nem sempre são notados. As pessoas passam por eles e não enxergam. Mas por que não enxergam? Porque muitas vezes não é aquela situação que querem ver. Alguns chegam a fingir que não estão vendo. Por conseqüência, eles têm uma maior tendência a baixo estima, depressão, e em alguns casos se vingam através da violência. Geralmente o indivíduo pobre recebe mais essas mensagens de inferioridade.


Esse especial também mostrará um jornalismo social. Uma tentativa da real humanização dos textos através de perfis. Prepare-se para as quatro primeiras histórias. Você vai conhecer a Jennifer Alamini, a Ângela Freitas Machado, a Maria Albertina e o Rudnei.


Espero que você goste.

Projeto de Jornal

Jennifer, Ângela, Maria Albertina e Rudnei... os personagens.




Sabe aquele projeto de jornal que falei há um tempo atrás? Finalizei e entreguei no final do mês passado. Agora no dia 13 apresentei e os professores julgaram o trabalho nota 10. Nessas horas vale muito a pena o esforço destinado ao material. E sem falar que tirar 10 é bom demais!!!


Então começo hoje a colocar os perfis que fazem parte desse projeto. Pessoas Invisíveis é o título do material que tráz em suas páginas quatro perfis de pessoas consideradas invisíveis na sociedade. São personagens que sofrem preconceitos e de desigualdade social. São eles a travesti Jennifer, a catadora de lixo Ângela, a empregada de serviços gerais Maria Albertina e o engraxate Rudnei.


Busquei um jornalismo social, e fazer o que defino como jornalismo: contar histórias. São histórias de pessoas, que muitas vezes nem são notadas. Aprendi muito, passei por cima de preconceitos e vi, ainda mais, como a vida e o ser humano são fascinantes.


Daqui a pouquinho o primeiro perfil, o da Jennifer Alamini.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Sexta-feira combina com risos!

1. NA CLÍNICA PARA DEFICIENTES
Na hora do almoço, um interno ia passando pelo refeitório, quando ocozinheiro lhe pergunta:
- Quer uma torta, amigo?
- Agora não, obrigado! Acabei de comer uma ceguinha!

2. NO DEPARTAMENTO DE IMIGRAÇÃO

- Sexo?
- 3 vezes por semana
- Não... eu quero dizer masculino ou feminino.
- Não importa.

3. NO CELEIRO
Diz a ovelha para o carneiro:
- Tens tão pouca lã...
- Tá, mas viemos para aqui trepar ou fazer tricô ???

4. NO UROLOGISTA

Uma mulher, toda boazuda, vai ao consultório médico:
- Doutor, queria que fizesse algo pelo meu marido... Algo que ofizesse ficar como um touro!
- Pois bem, dispa-se. Vamos começar agora mesmo pelos chifres...

5. NA BALADA

Um cara chega para uma mulher e diz:
- Tá afim de uma transa mágica?
A mulher pergunta: - Como é uma transa mágica?
Ele diz:
-É muito simples, a gente transa e depois você desaparece.

6. NA FESTAO

menininho pergunta pra mãe:
-Mamãe! Por que você é branca, papai é negro e eu sou japinha...
-Ah, meu filho! Se você soubesse a festa que houve naquele dia... você tem sorte por não latir.

7. NO PLANTÃO MÉDICOO

sujeito vai ao hospital, caindo de bêbado. Durante a consulta, vêm as perguntas de praxe:
- Nome?
- Juvenal dos Santos!
- Idade?
- 32 anos.
- O senhor bebe?
- Vou aceitar um gole, mas só pra te acompanhar!

8. NA BOLSA

A mãe americana encontra uma lata de cerveja na bolsa da filha epergunta para si mesma:
- Será que minha filha está bebendo?
A mãe italiana encontra um maço de cigarros na bolsa da filha e sequestiona:
- Será que minha filha está fumando?
E, como não poderia faltar, a mãe portuguesa encontra uma camisinha na bolsa da filha, e se pergunta:
- Meu Deus! Será que minha filha tem pinto???!!!

9. NO LAR PARA IDOSOS

Dois velhinhos conversando:
- Você prefere sexo ou Natal?
- Sexo, claro! Natal tem todo ano, enjoa.

10. NO FIM

No consultório, fim de tarde, o médico dá a péssima notícia:
- A senhora tem seis horas de vida.
Desesperada, a mulher corre para casa e conta tudo para o marido. Os dois resolvem gastar o tempo que resta da vida dela fazendo sexo.Fazem uma vez, ela pede para repetirem. Fazem de novo, ela pede mais. Depois da terceira vez, ela quer de novo.E o marido:
- Ah, não, chega! Eu tenho que acordar cedo amanhã... você não!

11. NA PESCARIA

A portuguesinha de 10 anos vai pescar com o pai e volta com o rosto todo inchado.A mãe, assustada, pergunta:
- Minha filha, que houve?
- Foi um marimbondo, mamãe...
- Ele te picou ?
- Não deu tempo, o papai matou ele com o remo.

12. NO PARQUE

Dois rapazes gauchos pedalavam suas bicicletas pelo parque. Um deles pergunta:
- Onde conseguistes essa tua magnífica bicicleta?
O segundo respondeu:
- Estava eu a pé, caminhando ontem por aí, quando encontrei uma guria da classe com esta bicicleta. Ela atirou a bicicleta ao solo, despiu toda a roupa e disse-me:
- "Vem, e pegues o que quiseres".
O outro:
- Bah, escolhestes bem. Provavelmente a roupa não te servirias.

13. NO GERIATRA

O médico atende um velhinho milionário que tinha começado a usar um revolucionário aparelho de audição:
- E aí, seu Almeida, está gostando do aparelho?
- É muito bom.
- Sua família gostou?
- Ainda não contei para ninguém, mas já mudei meu testamento trêsvezes.